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Investimos logísticos em comparação a infraestrutura de outros países

Cerca de 75% da produção brasileira é escoada pela malha rodoviária, o que coloca o Brasil como o mais dependente do modal, entre as principais economias do mundo. Os dados são da Fundação Dom Cabral e constam na pesquisa “Custos Logísticos do Brasil”.

A dependência brasileira das estradas vai na contramão do resto do mundo e traz custos altos para o país. A greve dos caminhoneiros, em maio de 2018, é uma prova de como a escolha pode trazer problemas ainda mais graves no futuro.

Por que o Brasil depende tanto das rodovias?

A questão histórica reflete o momento atual do Brasil. Desde pelo menos o início do século passado os políticos optam pelo modal rodoviário. Na década de 20, Washington Luís, então governador de São Paulo, dizia que “não era possível governar sem abrir estradas”.

A partir de 1956, quando Juscelino Kubitschek tomou posse, a política de “rasgar” o Brasil com rodovias se intensificou. Como foi responsável pela construção da nova Capital Federal, Brasília, em 1960, a ideia era ligar o território nacional até ela.

Entre as rodovias construídas no mandato de Juscelino estiveram a BR-153, BR-364, Régis Bittencourt, Fernão Dias. E, na verdade, a priorização de rodovias também tinha outro objetivo: implantar uma indústria automobilística brasileira.

O foco no modal continuou e fortes investidores no setor vieram de programas como o Plano de Integração Nacional (PIN), do governo militar, e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), durante os governos Lula e Dilma.

Como é o investimento em logísticas em outros países?

Diferentemente do Brasil, a maior parte dos países desenvolvidos historicamente preferiu o investimento em outros modais. Os Estados Unidos, um país que também tem dimensões continentais, optou pelas ferrovias e hoje 50% do escoamento da produção é feito pelos trilhos, por exemplo.

Seguindo no exemplo, os Estados Unidos dão outro indicativo de que por que a situação no Brasil é complicada. Mesmo o modal rodoviário do país do norte sendo responsável por apenas 25% da movimentação comercial, foram investidos mais de 310 milhões de dólares nas estradas, em 2012.

Para efeito de comparação, também em 2012 foram investidos apenas 133 milhões de dólares nas rodovias brasileiras pelo governo. Ou seja, nos últimos anos, além priorizar demais as estradas, o Brasil tem investido relativamente pouco dinheiro na comparação com outros países.

O que deveria ser feito para diminuir a dependência brasileira das estradas?

A saída para o Brasil são os investimentos em ferrovias. E isso é praticamente um consenso entre os especialistas. Em mais um século de grande movimentação comercial interna nos países, já é sabido que as rodovias são preferíveis para percorrer distâncias menores, enquanto as ferrovias são melhores para distâncias maiores.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) reconhece a demanda e lançou em agosto um Plano de Transporte e Logística. O documento pontua que os investimentos no setor nos próximos anos deveriam ser feitos em ferrovias (R$ 744 bilhões), rodovias (R$ 566 bilhões), hidrovias (R$ 147 bilhões) e portos (R$ 133 bilhões).

O plano tem como objetivo a construção de um sistema de transportes moderno e livre de problemas. O direcionamento está dado e agora é esperar que a demanda por mais investimentos e mudanças na logística seja entendida pela classe política.

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